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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

NAVIO ISOMERIA – PIRATARIA NO PORTO DE SANTOS





                                                                                                            Foto publicada no jornal a Tribuna

Um dos maiores casos de ataque de piratas no Porto de Santos ocorreu em 9 de janeiro de 1998, eram 00:15 horas, após de troca de turno da guarnição, nas dependências do 1º GOE – Grupo de Operações Especiais da Guarda Portuária, localizado no Armazém 07, o telefone tocou informando que um vigia portuário, de serviço à bordo do Navio Isomeria, atracado no Pier 1 da Alamoa, tinha entrado em contato, via rádio, com a sede do seu Sindicato, informando que o Navio estava sendo invadido por piratas. Naquele mês, vários navios haviam sofrido ataque de piratas, que subiam à bordo dos navios para roubar o cofre da embarcação e os camarotes dos tripulantes, no entanto, sempre que chegávamos no local, a quadrilha já tinha se evadido. Durante vários dias montamos campanas para tentar surpreendê-los, no entanto, todas foram em vão, mas neste dia foi diferente, rumamos com destino ao Píer em uma viatura, integrada por um inspetor e dois guardas, enquanto as outras viaturas do nosso grupamento estavam em policiamento. Ao chegarmos à entrada do Pier 2, ali já se encontrava a viatura da área da 1ª Subsede, integrada por um inspetor e um guarda portuário. Em virtude de o Navio estar operando com gás, o Pier 1 estava interditado, nos obrigando a caminhar a pé, do Píer 2 até o Píer 1, local de atracação. Ali chegando não observamos nenhuma movimentação encima do Navio, nem de piratas nem de ninguém da tripulação. Como em todas às vezes nas quais chegávamos ao local esses meliantes sempre já tinham se evadido, chegamos a supor que tinha ocorrido o mesmo. Já no convés do Navio, continuamos a não ver nenhuma movimentação, quando iríamos iniciar a incursão para a parte interna da embarcação, onde se localizam os camarotes, o inspetor do GOE ao abrir a porta de acesso, foi recebido por vários tiros. Ao trocar tiros com o pirata ficou sem munição, sendo então socorrido por um guarda portuário, que lhe passou a sua arma, quando então o inspetor do GOE conseguiu atingir aquele meliante com um tiro certeiro no peito, matando-o no local.

Alguns minutos de silêncio se passaram e nenhuma movimentação, outra viatura do nosso grupamento, integrada por dois guardas portuários, chega ao Píer e os guardas sobem à bordo, quando aparecem no passadiço do Navio, dois piratas, cada um com um refém. Um dos reféns, por estar ferido no pé, foi abandonado naquele local, e os piratas desceram pela escada externa, um com uma submetralhadora UZI na mão e uma refém protegendo o seu corpo e o outro com uma pistola, enquanto todos nós, integrantes da guarda portuária, na época, usávamos apenas revólveres calibre 38. Iniciou-se naquele momento um enorme tiroteio no convés, o pirata com a submetralhadora descia a escada arrastando a oficial do Navio como refém, que se encontrava ferida, gritando que só queria sair dali com vida ou matava a refém, quando baixamos as armas e eles se preparavam para descer a escada do Navio, outra viatura do GOE e outras viaturas da Guarda Portuária chegam ao local em apoio, e iniciou-se outra troca de tiros, de repente um embarcação de pequeno porte, conhecida popularmente como “piracicabana” sai debaixo do Píer conduzida por outro pirata, acuados, os dois que se encontravam no Cais, abandonaram a refém e pularam na “piracicabana”, e a troca de tiros continuou até aquela embarcação tomar rumo ao Rio Casqueiro. Momentos após a troca de tiros, depois dos piratas deixarem o local, compareceram no Píer da Alamoa, viaturas da Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Civil.
Veja o relato, na íntegra, do ex-guarda portuário Claudio Moreira Lima, publicado no blogmercante, em 30 de outubro de 2010.

Berdeide, gostaria que vc procurasse nos seus meios, um fato quase semelhante que ocorreu no porto de Santos, mais ou menos nos anos de 97 98. O nome do navio era M/T ISOMERÍA, atracado no cais da Alamoa. Tomado por piratas do porto, alguem disparou o alarme e o procedimento foi parecido. shut down, por que estava descarregando glp, e se entocar nos compartimentos previamente combinado. Quem nao conseguiu correr, ficou sob a mira das armas dos piratas, foram 2 filipinos A/B e a segunda oficial Inglesa Débora. O horário eu lembro que era 00;35hs. Logo a seguir, chegou um grupamento da Guarda Portuária denominados Ninjas, que se depararam com os piratas segurando os reféns, com as armas encostadas em suas cabeças. Ficaram face a face um guarda de arma em punho, e um pirata com a oficial Debora sendo segura por uma (gravata) e sendo ameaçada com uma submetralhadora UZI na nuca.Momento de tensao e impasse. Eu só quero sair daqui, eu vou mata-la; falava o pirata. Quando o guarda abaixou a arma para argumentar, o pirata que já estava no portaló, se deparou com outra equipe subindo correndo e começou a disparar rajadas contra todos. Sem largar a oficial ele temtou descer as escadas mas nao consegui. Foi o momento que ele largou a refem e se atirou escada abaixo, debaixo de uma chuva de balas da equipe gport, onde para a surpresa de todos, se encontrava uma piracicabana (voadeira) com mais dois elementos a bordo, por baixo dos pilares do cais, dando cobertura e eventual fuga. Foram quinze minutos de intensso tiroteio em uma area de risco total que é o cais de inflamaveis da Alamoa. Me lembro de ter amparado a oficial Debora, que mesmo ferida, correu ao meu encontro e me abraçou fortemente, tremendo muito, e sangrando no peito,totalmente em choque.Foi quando a coisa parou, que os outros refens apareceram e conseguimos levar a segunda para a enfermaria. No momento que adentramos a antepara do conves para os compartimentos, nos deparamos com um pirata deitado no chao, e empunhando um revolver e uma pistola; panico geral, os filipinos largaram a mulher, e ficamos paralizados olhando aquele cara ali no chao.Foi quando depois de uma eternidade todos parados, percebi que o elemento nao se mexia; com muita cautela(medo) que fui se aproximando, e notei que o mesmo estava com um buraco de bala no peito, e já estava morto. Saldo geral: quatro piratas tombaram, e a Segunda com um tiro que transfixou o seio, mas se recuperou.
  Sede do 1º GOE – Grupo de Operações Especiais da Guarda Portuária - Armazém 07

O CASO TEVE REPERCUSSÃO INTERNACIONAL
Um dos mais ousados assaltos a navios em Santos, teve repercussão internacional, o Navio M/T Isomeria, de bandeira inglesa, descarregava gás no terminal de inflamáveis da Alamoa. Na troca de tiros, foram atingidos e morreram Josenildo Menezes Santos, de 19 anos, que morreu no Navio e Edson Germano das Chagas, de 42 anos, vulgarmente conhecido como “Nego”, que teve o seu corpo encontrado boiando, horas após, com um tiro na nuca, próximo a Ilha Caraguatá, no Rio Casqueiro. Os piratas fizeram como reféns o vigia de bordo Dirceu Vieira Câmara e a 2ª Oficial do Navio, a britânica Débora Harrison. O vigia foi baleado na perna esquerda e a oficial levou um tiro no peito. O guarda portuário Júlio César também foi atingido por um tiro de raspão no braço. A operação foi de alto risco, pois o Navio descarregava 10.154 toneladas de gás liquefeito de petróleo (gás de cozinha), além do que, aquele terminal estocava vários produtos inflamáveis, como gasolina, diesel, óleo combustível e querosene. Uma catástrofe foi evitada porque os operadores do terminal suspenderam as operações do Navio, evitando deste modo uma grande explosão. A ação foi elogiada pelo delegado da Polícia Federal Dr. Moisés e pelo Governo Britânico. Segundo o comandante do Navio, o inglês Jonh Gerard Peace, os piratas agiram com extrema violência.
Reportagem Jornal A Tribuna                                                                                                                    reportagem do Site UOL
AÇÃO FAZ GOVERNO BRASILEIRO ADOTAR NOVOS PROCEDIMENTOS
O fato, diante da repercussão, modificou o conceito do Governo Brasileiro com referência a Segurança Portuária no Brasil. As cobranças externas obrigaram o país a adotar providências no combate aos ataques piratas nos portos brasileiros, com aquisição de lanchas e treinamento de pessoal para pilotá-las. A partir daí foram implantados os NEPOM pela Polícia federal.
Texto inserido no site da CONPORTOS – Ministério da Justiça
  • Ação oportuna, em 09 de Janeiro de 1998, contra a tentativa de assalto ao navio "Isomeria", do Reino Unido, cuja ação dos assaltantes foi frustrada em face da pronta atuação da Guarda Portuária de Santos. As repercussões desse frustrado assalto favoreceram a conscientização de autoridades nacionais a liberar verbas para o Convênio entre o Ministério da Justiça (DPF) e o Ministério da Marinha, com vistas à aquisição de lanchas e à capacitação de pessoal para utilizá-los.
                                                                                        Foto publicada no Jornal a Tribuna


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7 comentários:

  1. Parece história de filme policial. Velhos tempos do GOE, um grupo, contraditório, q marcou uma época da Guarda Portuária, adorado por alguns e odiado por muitos.

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  2. É interessante destacar a ação eficiente que frustrou a ação criminosa, o que demonstra que, se bem comandada e estruturada, a Gport pode sim, fazer valer sua verdadeira vocação. O que não deu certo, na época, deve ser esquecido e o que fica de lição é que podemos desempenhar um papel mais relevante e de melhores serviços do que o que se vê nos dias de hoje. Quem sabe se, com essa postagem, não começamos a resgatar a história e a autoestima da corporação e projetar um futuro mais digno do que nosso presente.

    http://mentesatentas.blogspot.com/

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  3. Assalto a navio em Santos deixa um morto

    Agência Folha 09/01/98 14h42
    De São Paulo

    Um homem morreu e dois ficaram feridos na madrugada desta sexta após um tiroteio entre assaltantes e guardas portuários no convés do navio Isomeria (de bandeira inglesa), no porto de Santos (SP). Cinco homens armados invadiram a embarcação por mar à 0h20. Eles chegaram em uma pequena lancha, que ficou ancorada ao lado do navio.

    Após ser notificada, a Guarda Portuária enviou ao navio nove homens, que foram recebidos a tiros. Durante a fuga, os assaltantes dominaram o vigia de bordo Dirceu Vieira Câmara e a oficial inglesa Deborah Harrison. Os dois foram usados como ''escudos'' até que quatro dos cinco assaltantes conseguissem chegar até a lancha.

    Um deles morreu no tiroteio com os guardas portuários. Duas pessoas ficaram feridas: o vigia de bordo Vieira Câmara, baleado na perna esquerda, e um guarda portuário, atingido por um disparo no braço esquerdo. O navio transportava gás liquefeito de petróleo e estava atracado no cais da Alemoa.

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  4. Faltou uma Guarda Costeira, para nestas horas cercarem os Marginais pela água, estes marginais, ratos de cais sujam a imagem do Brasil.

    Triste que uma colega tenha se ferido, mas elogiável a ação dos Guardas Portuários que com recursos limitados fizeram oque puderam.

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  5. O primeiro GOE nao caiu; apenas deu meia volta, para avançar nas batalhas da gloriosa. Na foto: Eu,Sergio Leal e Pulicinha. Abraços; Carvalhal e Berdeide.

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  6. Obrigado pelo seu comentário. O sucesso desta operação só foi possível pela coragem, ousadia e profissionalismo de pessoas como você. Você faz muita falta a Guarda Portuária. Lamento a sua saída, mas desejo muita sorte na sua atividade atual.

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  7. Nobre colega Carvalhal. Fico sem palavras para descrever o que sinto, quando colegas como vc comentam sobre a minha saida da gport.Estou honrrado de ter sido seu campanha no primeiro goe, nos patrulhamentos, nas lanchas, enfim de ter participado de um grupamento onde fizemos o possivel e o impossivel para arvorar a bandeira da GPORT no top. Pena que a fogueira de vaidades de alguns insps. acabou queimando o ideal do grupamento. Quanto a minha baixa da gloriosa, vc sabe o trauma que passei, e que nao suportei as perseguiçoes que nos sofremos por ter sido um ex GOE. Respondendo ao nobre colega Erik do BLOG mercante,sobre guarda costeira, respondo que a gport sempre teve o seu patrulhamento maritimo eu mesmo e o colega Carvalhal,entre outros, participamos de cursos com Inspetores da Guarda Costeira dos EUA, onde aprendemos algumas tecnicas de abordagens no mar e outros conhecimentos sobre drogas e ilicitos. O Carvalhal lembra da gloriosa DIANA X, onde somente ela efetuou mais apreensoes e detençoes do que qualquer embarcaçao policial no meio portuário. Sem falar da IRRA, que após efetuar um assalto cinematografico no FERRY BOAT, viemos a captura-la no mangue. e que incorporou o patrulhamento gport. AI carvalhal, saudades das rondas com a IRRA.

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